Portugal: Energia e Recursos Minerais – A situação mundial

 

Pressão demográfica
Figura 1 – A pressão demográfica: população mundial – dados: United Nations – World Population Prospects 2017, https://esa.un.org/unpd/wpp/Download/Standard/Population/.
Temperatura média mundial
Figura 2 – Evolução da temperatura média mundial: mudança na temperatura superficial média global em relação às temperaturas médias de 1951-1980 – fonte: NASA’s Goddard Institute for Space Studies (GISS), climate.nasa.gov.
PIB per capita mundial
Figura  3 – Evolução do PIB per capita mundial (1992-2016) – World Bank Indicators 2017.

As próximas décadas deste século serão palco de desafios vitais para o futuro da Humanidade e do planeta. A situação atual já é crítica; os níveis de poluição da atmosfera, com o crescimento da concentração de COe metano, associados a alterações climáticas de amplitude ainda desconhecida, a poluição do mar e da cadeia alimentar por plástico, a pressão sobre os ecossistemas, os recursos de água, alimentos e de outras matérias-primas essenciais para vida humana como a entendemos no século XXI atingiram patamares insustentáveis.

A situação vai piorar antes de eventualmente melhorar: o crescimento demográfico (e o envelhecimento da população) vão crescer até ao final do século; as emissões de gases com efeito de estufa não estão controladas e as tecnologias, regulamentação e recursos económicos necessários para as controlar não estão disponíveis ou encontram-se ainda numa fase embrionária; o crescimento do rendimento médio da população mundial irá continuar, gerando uma  acrescida procura de recursos  – cada vez mais difíceis de encontrar, mais resíduos e a poluição dos sistemas vitais do planeta; a competição internacional por recursos naturais e financeiros criará novos conflitos, agudizará os latentes e tornará mais violentos os já existentes.

A resposta da comunidade internacional tem sido tímida. Há, todavia, algumas luzes de esperança. As fontes de energia diversificaram-se, com a revolução introduzida pelas fontes não convencionais de gás e petróleo e com o rápido crescimento das energias eólica e fotovoltaica, e a electrificação da energia aumentou. Foram criadas novas tecnologias – muitas ainda nascentes, mas algumas já de viabilidade comprovada. A pressão social começa a exercer influência nos decisores políticos.

The global energy scene is in a state of flux. Large-scale shifts include: the rapid deployment and steep declines in the costs of major renewable energy technologies; the growing importance of electricity in energy use across the globe; profound changes in China’s economy and energy policy, moving consumption away from coal; and the continued surge in shale gas and tight oil production in the United States. …
Despite their recent flattening, global energy-related CO2emissions increase slightly to 2040 in the New Policies Scenario. This outcome is far from enough to avoid severe impacts of climate change, but there are a few positive signs.
(IEA, 2017)
Emissões de CO2 per capita
Figura 4 – Emissões de CO2 per capita (toneladas) (1992 a 2014) – World Bank Indicators 2017 e DGEG, Indicadores Energéticos no Observatório da Energia.
Consumo anual percapita de energia
Figura 5 – Consumo anual per capita de energia (eq. kg de petróleo) – World Bank Indicators 2017.

Os Estados Unidos e a União Europeia são as economias ocidentais mais poderosas, as suas populações gozam níveis de riqueza, rendimento e consumo sem paralelo no mundo. Estas economias concebem e fabricam (mesmo se, em muitos casos, em países terceiros) produtos e serviços tecnologicamente avançados na maior parte dos sectores económicos.

Os níveis de consumos e as tecnologias sofisticadas exigem acesso a uma grande diversidade e quantidade crescente de recursos minerais (maiores que em qualquer outro momento da História). À procura por produtos e serviços das economias americana e europeias acresce a procura dinâmica das economias chinesa e indiana (e outras asiáticas).

Simultaneamente, os jazigos minerais são menos acessíveis, quer em resultado quer das crescentes guerras de poder económico, comercial e político (com a China afirmada como novo coprotagonista mundial), quer por serem mais profundos, de menor teor e maior complexidade, em zonas mais remotas e com regulamentação mineira e ambiental mais restritiva e com utilizações do território alternativas.

Raw materials are essential for the production of a broad range of goods and applications used in everyday life. They are intrinsically linked to all industries across all supply chain stages. They are crucialfor a strong European industrial base, an essential building block of the EU’s growth and competitiveness. The accelerating technological innovation cycles and the rapid growth of emerging economies have led to a steadily increasing demandfor these highly sought after metals and minerals. The future global resource use could double between 2010 and 2030.
CRMs are particularly important for high tech products and emerging innovations – technological progress and quality of life are reliant on access to a growing number of raw materials… CRMs are irreplaceablein solar panels, wind turbines, electric vehicles, and energy efficient lighting and are therefore also very relevant for fighting climate change and for improving the environment. For example, the production of low-carbon technologies – necessary for the EU to meet its climate and energy objectives– is expected to increase the demand for certain raw materials by a factor of 20 by 2030.
 (EUROPEAN COMMISSION, 2018)
From the Stone Age to the present, mineral commodities have been essential ingredients for building and advancing civilization. Products built with materials derived from mineral resources include homes and office buildings; cars and roads; computers, televisions, and smart phones; and jet fighters and other military hardware needed to defend the Nation. In short, minerals are essential to advance and protect modern society.
When the periodic table of elements was first established in the latter half of the 19th century, many of the elements were known to exist in nature, but relatively few were being used by society. Today, discovery of new uses for an increasing number of elements is enabling rapid innovations in technology and materials science. Advances in telecommunications, information technology, health care, energy production, and national defense systems have all been possible through the use of new mineral materials.
As the importance and dependence of specific mineral commodities increase, so does concern about their supply. The United States is currently 100 percent reliant on foreign sources for 20 mineral commodities and imports the majority of its supply of more than 50 mineral commodities. Mineral commodities that have important uses and face potential supply disruption are critical to American economic and national security.
(U.S. Geological Survey, 2017)

Em consequência daquelas forças poderosas, estão a ocorrer mudanças profundas e os mercados da energia e dos recursos minerais tornaram-se mais imprevisíveis e voláteis. A percepção pelos governos americano e japonês e pela Comissão Europeia da insegurança no acesso (e nos preços) de algumas matérias-primas minerais levou-os a estabelecer um diálogo tripartido e a definir listas de minerais críticos do ponto de vista das respectivas economia e segurança nacional.

As listas definidas pelos Estados Unidos e pela União Europeia são, em grande medida, semelhantes, reflectindo uma preocupação comum por dificuldades de acesso a matérias-primas que, considerando necessárias têm produção concentrada em países terceiros considerados instáveis ou concorrentes (sendo mal disfarçado o receio face ao controlo efectivo que a China exerce sobre algumas daquelas matérias-primas).

A lista europeia contém 27 matérias-primas, a americana 23; em comum, aquelas listas têm em comum 15 materiais: AntimónioBariteBerílioCobaltoFluoriteGálioGermânioGrafiteHáfnioREE (terras raras); ÍndioNióbioPGE (platina e platinóides); TântaloVanádio. O lítio, curiosamente, presente na lista americana, está ausente das preocupações europeias – apesar da mobilidade eléctrica estar no centro da política energética da União Europeia.

É exigida acção global aos Governos e às instituições internacionais. Não existe, contudo, acção sem reação, como demonstra a mudança nas políticas da Administração dos Estados Unidos na sequência da eleição de Donald Trump. O mundo encontra-se numa encruzilhada.

E Portugal?

 

O mundo e Portugal enfrentam desafios que colocam o desenvolvimento das sociedades humanas e a sobrevivência dos sistemas naturais que nos sustentam em risco crítico.

Esta é a primeira parte (seguir-se-ão outros textos e informação complementar durante as próximas semanas) duma reflexão sobre a situação da energia e recursos minerais em Portugal: Qual a situação actual? Que desafios enfrentamos? Que políticas devemos prosseguir na exploração dos recursos minerais em Portugal?

Luís Chambel 

 

 

wrong, something is very wrong

RISK UNDERVALUATION IN MINERAL PROJECTS

Reporting to markets should (have to!) be complete, independent and competent.

Risk is a key factor; in most cases, along with commodity price, the most important variable defining a project’s value. The importance of a good estimate of the risk measure (the discount rate in DCF models) cannot be overemphasized.

Yet, something is wrong, very wrong:

  • In most cases (in a sample of 77 documents reporting pre-feasibility, feasibility studies and valuation exercises of operating assets), the magical discount rates used in DCF are 5% and 8%, accounting for 26% and 27% of the cases (10% accounts for 17%). In 75% of the analised cases, the used discount rate is ≤ 8%. Let’s say you are an investor, would you accept a lower than 8% rate in most mineral projects?
  • The 5% magical number is pervasive in gold projects. A new rule can almost be written; IF gold THEN 5%.
  • Reports include countless pages of technical minutia and detail of doubtful utility for the average investor; yet only a handful of them has any discussion or justification of the chosen discount rate.
  • Country risk is irrelevant; I will grant that the 77 sample is relatively small but the anecdotal evidence shows that the same risk is attributed to projects in the US and Canada or in Burkina Faso and Colombia.

Please bear in mind these are preliminary results; as more data is compiled, new trends may develop. Although I tried to have a random sample, diamond and gold projects may be overrepresented (20 and 21 out of 77, respectively).

I will present these and other results at SME’s Mining Finance Conference in NYC on May 1 and 2, a little more than a week from now. If you are attending, I would like to discuss in person the reasons behind this and how should this (can it?) be remediated – or shouldn’t reporting to markets be complete, independent and competent?

Being a member of SME and of the Society of Economic Geologists – SEG I will try to discuss this issue within these professional organisations. Your comments (in person or through online fora) are always welcome.

Camissombo – Moquita – Lucapa – Saurimo – Malanje – Luanda: ida e volta

Angola 20170313 115220
A caminho do trabalho – garimpo na Lunda Norte

Um projecto de prospecção e exploração de diamantes de aluvião levou-me, de novo, a Angola.

Estreámos uma nova tecnologia (um drone acabado de comprar; como vivemos até agora sem um?), revimos velhos amigos e fizemos novos conhecimentos, falámos com garimpeiros e ouvimos a chamada muçulmana para as orações às 4 da manhã no Lucapa, experimentámos uma (para nós) inédita viagem por estrada Camissombo – Moquita – Lucapa – Saurimo – Malanje – Luanda, atravessámos e viajámos no rio Luachimo.

Viajo (e trabalho) há vinte cinco anos para Angola; nenhuma viagem foi tão intensa. Os filmes e as fotos que irei publicando ao longo das próximas semanas são para mim forma de não esquecer; para quem já lá viveu, pretexto para recordar.

A Sínese é uma empresa especializada em Geologia Económica e Análise e Sistemas Inteligentes. Fundada em 1995, a Sínese realizou estudos técnicos, económicos e de mercado, desenvolveu sistemas de informação especializados, concebeu e implementou projetos de prospecção, avaliação, mineração de recursos minerais em diversos países e continentes – Europa (Portugal), África (Angola, República do Congo, África do Sul, Angola) e nas Américas (Canadá, Estados Unidos, Brasil, Argentina, Uruguai e Equador).
Em particular, a Sínese esteve envolvida em inúmeros projetos ligados à prospecção e mineração de diamantes jazigos aluvionares e quimberlíticos em Angola e no Brasil, de pedra natural em Portugal, no Brasil e em Angola e de ouro e/ou nióbio e tântalo (nomeadamente aluvionares) em Portugal e na República do Congo, manganês e outros metais no Brasil.
A Sínese, coordenada por Luís Chambel – luischambel@sinese.pt , é constituída por uma equipa coesa, flexível e altamente qualificada, com especialistas em diversas disciplinas técnicas e científicas, desde a Engenharia de Minas, Geológica Económica e Aplicada, Sistemas de Informação Geológica, Estatística e Análise de Dados.

Vitória Stone Fair – NEW DATES

Novas datas para a Feira de Vitória – 6 a 9 de Junho 2017

News release just received:

Vitoria Stone Fair | Marmo+mac Latin America 2017 will take place from 6 – 9 June 2017, in Espirito Santo – Brazil. The event is considered the largest stone exhibition in Latin America and the most objective, economical and efficient way to develop business in Brazil, Latin America and the global stone sector.
The fair brings together an exuberant showcase, with several types of materials with colors and unique textures. Also, novelties in machinery, equipment and stone accessories for the industry. The event attracts buyers from all continents, from importers to exporters, looking for machinery, accessories and services.

Vitória Stone Fair website

 

Oil and metals: Goliath and David

Another excellent infographic published by Visual Capitalist (a few weeks ago).
They left diamonds out of the picture, a pity. They included graphite, diamond’s darker and duller brother, though; curiously enough, both markets are very similar in value (diamond production marginally smaller, at close to $14B).
Courtesy of: Visual Capitalist

The Portuguese Natural Stone industry

A short updated summary

Portugal is an old and important natural stone producer and exporter – 380 M USD in 2015 (roughly over 70% of it as finished products) being, on a per capita basis, the largest world exporter. The country’s stone exports have a high added value, its average price being one of (if not) the largest in the world.

The Portuguese natural stone production is diversified, ranging from marble and limestone quarried in the South and Centre of the country to granites in the Centre and North of Portugal. The country also has an important stone manufacturing base, with factories located near Lisbon (Pero Pinheiro) and in the main quarrying centres. The country is also a manufacturer of specialized equipment and machinery for the stone industry.

The natural stone industry is fragmented, being composed mostly of family owned businesses.

All these factors (abundant, diversified sources, widespread know-how, relatively low capital intensive) contributed along millennia to a stone culture in the country – Portugal has the largest concentration of pre-historic stone monuments in Europe and natural stone is used in virtually every single house in Portugal.

The country is well placed to be a trade platform between Europe, Africa and the Americas (with all of which Portugal has important historical, cultural and economic ties), with good transport infrastructure (notably the Sines deep water harbour and an excellent road network) and competitive specialized manpower.

You may download this in pdf format (and tables) from here The Portuguese Natural Stone industry – a short summary. You may also read more herehere and elsewhere in this blog (just use the search tool, here). For more detailed information drop me a line at luischambel@sinese.pt.